FILOSOFANDO O COTIDIANO

O autor define com mestria o significado da FILOSOFIA ESPÍRITA vigente no atual estágio evolutivo em que nos encontramos.
Acompanhe conosco esse processo de encontros e desafios, que definem o Ser em busca de si mesmo através de ações que convergem a favor da paz e da Harmonia.

Educar para o pensar espírita é educar o ser para dimensões conscienciais superiores. Esta educação para o Espírito implica em atualizar as próprias potencialidades, desenvolvendo e ampliando o seu horizonte intelecto-moral em contínua ligação com os Espíritos Superiores que conduzem os destinos humanos.(STS)

Base Estrutural do ©PROJETO ESTUDOS FILOSÓFICOS ESPÍRITAS (EFE, 2001): Consulte o rodapé deste Blog.

15 de julho de 2016

CONVULSÕES SOCIAIS APOCALÍPTICAS

Fonte: Le Fígaro


(…) porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio
do mundo até agora.Jesus –  (Mt., 24:21.)
As convulsões sociais de variegado matiz acontecem a todo momento no mundo… A mídia está sobrecarregada de fatos tão terríveis quão corriqueiros: escândalos, corrupções, violência, homens-bomba e até mulheres-bomba, cruéis assassinatos em massa em nome de ideologias perversas, explosões provocadas em aviões lotados de passageiros. Parece que o mundo é um barco à matroca. Estejamos certos de que Jesus está no leme e tudo tem uma razão de ser.
Não falece dúvida que estamos vivendo um momento de altas ebulições catastróficas provocadas pelo homem e também pela Natureza: é o parto doloroso e cruento do Planeta de Regeneração em andamento!
O Benfeitor Espiritual Camilo, através da mediunidade de Raul Teixeira, esclarece (Carta Magna da Paz, cap. 2): O mundo terrestre está assinalado por incontáveis dessas zonas expiatórias que são, por seu turno, regiões de reequilíbrio de prodigioso contingente de filhos de Deus que, durante muito tempo ainda estarão tentando atear fogo aos campos da humanidade inteira, ou estarão envolvidos em processos de barbarismos contra seu semelhante, batendo no peito como donos da razão e senhores da verdade.  
Deus, contudo, aguarda que na grande fogueira por eles mesmos montada, queimem-se, ainda que morosamente, os fluidos pestilenciais que vão dando margem ao aparecimento de fluidos salutares, que irão preenchendo os vazios morais do planeta.
Para os olhos do homem comum, há povos ou etnias no mundo que jamais se acertam; grupos sociais que são, historicamente, belicosos, odientos, odiados, negativos.  Entanto, vale saber que já não são, obrigatoriamente, os mesmos Espíritos reencarnados no pretérito os que persistem nos gravames atuais. É que, nessas localidades, temos as reportadas regiões de reequilíbrio para onde indivíduos das mais diversas procedências terrenas são conduzidos para que renasçam ali, considerando o estado da alma, os níveis de tormento, de ódio enraizado ou de beligerância a esvurmar do próprio íntimo. Assim, aprenderão a buscar a saúde interna, o equilíbrio da mente, cansando-se da loucura de ações irracionais, dos derramamentos de sangue, da sanha da destruição degenerativa, desistindo, por fim, de tanto pranto derramado pelos pretensos inimigos, que não passam de irmãos seus, e, por si mesmos, começarão a sensibilizar-se com as propostas de paz…
Porque somos imortais, o Criador vai-nos concedendo tempo devido para que todos nos possamos conscientizar do compromisso de avançar pela senda do progresso, que nos trouxe à Terra, verificando, com assiduidade, como andam nossos impulsos perniciosos, bem como nossos movimentos para Deus, nosso teotropismo.
Importantíssimo será envidar todos os melhores esforços, a fim de que, além de não estarmos situados nessas zonas expiatórias – quando não estivermos, de fato -, evitemos tomar parte nesses bolsões de dores com as palavras e ações lorpas ou devassas, tiranas ou irascíveis, com as quais quase sempre a pessoa contribui para o desequilíbrio geral, a partir do seu desarranjo particular.
 Quantos são os indivíduos que se especializaram em mentir cinicamente, vida afora?! Ninguém mente com cinismo se não for para prejudicar ou enganar a terceiros.  Quantos os que se qualificam vastamente nas técnicas de usurpar, de roubar, com o sorriso de quem se julga superior aos usurpados?  E ninguém o faz se não nutre velhaca rapina no âmago do ser, desejoso de crescer no mundo material ainda que sobre os escombros dos que lhes abrem portas de confiança. Quantos se esmeram em pautar o cotidiano pela agressividade, pela violência, quer seja no lar, quer seja no local de trabalho ou no circuito da vida social, escondendo a própria fraqueza com o desrespeito ou desconsideração a terceiros? E ninguém age dessa forma se não guarda em si horrenda covardia, não encontrando espaço mental para a rogativa de desculpa nem para o indispensável tratamento.
Regiões de reequilíbrio via expiação, há muitas pelo mundo. Resta-nos saber se não nos estaremos candidatando a renascer em seu bojo, em seus núcleos, diante da distância ou da omissão que mantenhamos em relação ao amor e ao bem.
Desde os velhos textos do profeta Isaías [66:23 e 24], podemos encontrar referências ao respeito que se deve manter aos Estatutos Celestes, ali apresentados na simbologia pertinente aos escritos bíblicos. Nos mesmos escritos do profeta, há indicações de sofrimentos para todos quantos se tiverem voltado contra os referidos Estatutos. A forma é curiosa e enseja-nos interpretar, com o aclaramento que nos é conferido pela Doutrina Espírita, a fim de extrair entendimento compatível com os ensinos do Cristo postos ao alcance do nosso discernimento pelo Espiritismo.
 Inadiável será aproveitar a presente oportunidade reencarnatória, na Terra que se transforma, aos poucos, em aprazível moradia sideral, a fim de cooperarmos com Cristo que tanto investe nas possibilidades de progresso do Seu rebanho, e para que nos tornemos agentes do amor e semeadores da paz, nossa coroa sublimada, nosso refúgio de luz.
 
Fonte: Jornal Mundo Espírita, autor Rogério Coelho

9 de julho de 2016

MENSAGEM DE ESPERANÇA


Romênia
 
Sonia Theodoro da Silva  

Segundo os dicionários, esperança é o substantivo feminino que indica o ato de esperar alguma coisa, mas também pode ser sinônimo de confiança. Ter esperança é acreditar que alguma coisa muito desejada vai acontecer.  Paulo de Tarso, em sua Epístola aos Romanos (15:4), diz “porque tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.”  Paulo certamente se referia às palavras de Jesus contidas em seus ensinamentos morais e coletados posteriormente por Allan Kardec no Evangelho espírita.

Evangelho do Jesus, feito de incontáveis palavras de esperança, infelizmente hoje relegado ao esquecimento perante os desafios existenciais que se sucedem, de forma ininterrupta, e que atuam como móvel de desligamento do ser de sua transcendência divina, pois para um cristão, ter esperança é saber que apesar das dificuldades que enfrenta nesta vida, o melhor ainda está por vir.

Tema de estudos na Grécia Antiga, Eurípedes e Tucídides, afirmavam que a esperança, enquanto espera, era um desejo ou uma aspiração relacionada com a confiança.

A concepção de homem, segundo Gabriel Marcel o caracteriza como homo viator, isto é, como um ser itinerante, inacabado, ainda por se fazer. Em seu caminhar depara-se com um mundo quebrado, onde o ter prevalece sobre o ser, levando os humanos a isolarem-se e, consequentemente, autoconsumirem-se na solidão e no desespero. E é exatamente neste contexto – o do beirar a solidão desoladora – que Marcel entoa um hino à esperança, única postura capaz de fazer-nos galgar em comunhão os montes e altos píncaros de nossa jornada.

O filósofo francês sustenta que a única saída para a construção de uma civilização nova e esperançosa somente se torna possível no horizonte da comunhão, da fidelidade e do amor.

Semelhante ideia que Marcel desenvolve, a doutrina espírita oferece a todos os que dela se aproximam; nesta vida temos desafios, dores, aflições, alegrias, sorrisos e lágrimas. Somente com o consolo de nos sabermos filhos amados de um mesmo Pai que por todos vela através de suas leis misericordiosas, e que sempre nos oferece renovadas esperanças de continuarmos, pode nos manter vivos e confiantes.

A Filosofia Espírita é assim, um saber que incita o pensamento a despertar-se sempre. O verdadeiro conhecimento trazido pelo Espiritismo é inabalável diante das mudanças que ocorrem à nossa volta e sempre presentes em nossas vidas.

A Filosofia Espírita é assim, feita de Verdades eternas, de princípios eternos e imutáveis, os quais vamos compreendendo o alcance a partir na nossa própria evolução intelecto-moral. Tenhamos fé, a fé raciocinada que alimenta a esperança e coroa as nossas vidas com o amor tão almejado porque compreendido e vivenciado, sem receios, sem expectativas, mas com muita confiança.

(Publicado em The Journal of Spiritist Psychological Studies, Jul/Ago 2016, Inglaterra) 

22 de março de 2016

CULTIVO UMA ROSA BRANCA





Cultivo uma rosa branca,
 
em julho como em janeiro,
 
para o amigo verdadeiro
 
que me estende sua mão franca.

 
 
E para o mau que me arranca

o coração com que vivo,

cardo ou urtiga não cultivo:
 
cultivo uma rosa branca.
 
(José Martí)
 
 
PARA TODOS OS INIMIGOS DO BEM, DA VERDADE E DA PAZ
BRASIL, FRANÇA, BÉLGICA
22 MARÇO 2016

17 de março de 2016

O MEU (AMADO) PAÍS



Coração do mundo ... pátria do Evangelho ... há quem veja privilégios nestas palavras... e até uma certa arrogância; muitos julgaram ou julgam o Brasil a nova terra prometida e, nós, brasileiros, o povo escolhido que abrigaria os novos tempos. Contudo, o conceito de pátria do Evangelho é bem mais abrangente: na verdade estamos todos unidos, por afinidade, desde o passado remoto até o presente contundente: trânsfugas morais, adeptos de posturas equivocadas; desde todos os tempos, de todos os recantos da Terra, de todas as crenças e filosofias, de todas as posições sociais, de todas as sociedades e culturas, em um só e imenso lugar, onde tivéssemos as condições propícias para mudar...     

Brasil... de costas imensas, de largas e extensas praias, de selvas verdes e matas densas, de  mares verdes e de aves multi coloridas, de felinos belos e serenos; do boto que se confunde com o rapaz bonito da lenda criança; da pantera, da onça, do tucano e do papagaio; do mico leão dourado e das borboletas azuis... do cãozinho amigo e do gato ladino; das árvores que encantam, que ensombram, que fazem a chuva chover... das noites enluaradas e das estrelas sem fim... do calor que assusta e do frio que faz sofrer...

Visto do alto, o meu Brasil se confunde com outras terras e outros mares tão azuis e tão extensos que minha vista mal alcança...o meu Brasil de terras imensas, de águas ocultas, de rios largos e imensos, de peixes tão grandes quanto pequenos. Visto do alto, meu Brasil me comove - quem é você, Brasil? De quais lugares você veio e onde você está? Quem te construiu, quem sustenta as tuas fronteiras?

Do alto do mais alto pico do Brasil eu poderia estender meus braços e abraçar o meu país, e torná-lo pequeno, e afagá-lo como a uma criança, como a um filho querido que geme e se contorce em suas dores, dores tão grandes que saem às ruas, que se revolta, que chora e se espreme em veículos que o conduzem à busca do trabalho distante, ou do divertimento imposto e bancado pelos novos colonizadores e catequizadores de ideias.

Quem é você, meu Brasil, personificado em milhões de olhares úmidos de pranto por seus filhos perdidos pela bala “perdida”... quem é você, meu Brasil querido, personificado em milhares de crianças e jovens que, na escola, mal sabem ler e escrever uns, ou que se perdem nos desequilíbrios da busca desenfreada do prazer que, logo trazendo o vazio,  sai e sai novamente sem rumo, sem destino...quem é você, meu Brasil, cujo olhar suplicante busca nos altares frios e distantes a resposta para o seu desencanto...

Quem é você, meu Brasil de milhões de esperanças e de outro tanto de almas enfermas da alma; quem é você meu Brasil que busca num simples jogo de bola a alegria distante...

Porque, meu Brasil, tantos te tratam assim? Porque de tuas matas mortas, de teus animais em extinção, de tua água que seca, tamanha a poluição... E eu afago o meu país pequeno em meus grandes braços, e tal como o profeta, levanto o meu país à vista d’Aquele que o criou, à vista daquele que é maior do que eu mesma, do que todos, e que esteve entre nós nos ensinando a caminhar,  e o entrego nos Seus braços, e peço, e oro, pelo meu Brasil, para que possa andar com suas pernas vacilantes, que possa sorrir de vera alegria, que possa ver em torno de si a grande promessa de paz, que possa abraçar e ser abraçado, amar e ser amado, sem medo, sem raiva, porque crescido, adulto, educado, maduro e irmão.              

Que o meu Brasil possa sair de madrugada, e seguir para o seu trabalho compensador, e encontrar a rota certa, a segurança, a realização. 

Que o meu Brasil não dependa de quem quer que seja para alimentar-se, cuidar-se, ter seus filhos, comprar sua casa – porque tudo, tudo que fizer e realizar e respeitar reverterá a seu favor.

Que o meu Brasil respeite mares e lagos, rios e matas, animais e humanos, pois tudo faz parte do mesmo ciclo de vida, porque sabe que se assim não fizer, simplesmente morrerá.

Que o meu Brasil tenha seus representantes legítimos porque eleitos pela Verdade e pela Verdade trabalharão.

Que o meu Brasil apague de sua lembrança os maus governantes, os manipuladores, os corruptos e corruptores, os roubadores, os criminosos, os mentirosos e hipócritas, os que deturpam a paz e lesam os bens públicos; e que este momento não passe de aprendizado – longo, doloroso e definitivo aprendizado - em busca da honestidade, dos valores e virtudes humanas que a sustentam e à Vida.

 
Que o meu Brasil reconstruído pelo trabalho, pelos estudos, pela capacidade que tem de  sentir  empatia, afaste de si o egoísmo feroz e o individualismo doentio, que empobrece as suas capacidades, que o torna menor, que o submete à manipulação, e bloqueia o seu imenso potencial de realização.

Que o meu Brasil reconstruído pelo Amor, a ele finalmente dê guarida, abrindo os seus braços para os filhos das guerras distantes, das tragédias que ferem, dos dramas ocultos, das perseguições inumanas e cruéis.

 
Que o meu Brasil gigante acredite em si mesmo, mas seja tão humilde quanto a sua imensa capacidade de compreender.

Que o meu Brasil querido seja o coração que ama e a terra do Amor, que, personificado e nascido um dia, partiu mas nunca nos deixou.

Brasil: ergue-te, realiza, trabalha, acredita, ama, suba aos montes mais altos, eleva-te em espírito e de lá, visualiza o imenso caminho que te cabe; ele está perto de ti, bem perto, tão visível quanto as estrelas, tão fresco quanto as ondas do mar, tão vivo quanto as árvores,  silentes, belas e partícipes da vida – sai em busca das tuas bem-aventuranças,  segue a Luz que te criou, encontra-te contigo mesmo, e com todos os que te cercam. 

Meu Brasil jamais se submete, jamais se escraviza, a nada e a ninguém, a nenhuma circunstância. E o meu Brasil refeito e reconstruído, espiritualizado e trabalhador, finalmente estará pronto para abrigar a Paz – e de seu imenso coração emanarão os mais sublimes sentimentos que abraçarão a Terra inteira, os nossos irmãos.

CONFIEMOS  E OREMOS !

Sonia Theodoro da Silva - 16 de março de 2016
www.filosofiaespirita.org  

4 de fevereiro de 2016

CARNAVAL OU MOZART? UM DIÁLOGO ATEMPORAL


Um dia conversávamos com um Maestro e com uma Pianista. E a nossa conversa girava em torno de, claro, música. Foi quando o Maestro, desviando o assunto, exclamou: Mas, e o carnaval? Onde fica a cultura nesses dias onde tudo é permitido? Quando as mulheres esquecem o pudor e os homens, ah, estes nem se fala!..

O prezado leitor já deve ter percebido que o querido Maestro pertencia à geração dos antigos. Prosseguiu ele: Eu me lembro de quando era criança, apreciava as brincadeiras, os carros que saíam às ruas em desfile. Meu tio-avô era um dos aficcionados da festa de Momo. Ele reunia seus amigos, e todos saíam em seus automóveis, portando máscaras e lança-perfumes - a máscara, para que ninguém os reconhecesse e o lança-perfumes, para que, embriagados no doce aroma, pudessem permitir-se ao divertimento, sem qualquer constrangimento.

E assim era durante os quatro dias. Na quarta-feira - ah,a contradição -, iam todos em fila à Catedral da Sé, vestirem-se de cinzas, pedirem perdão dos excessos cometidos, das homéricas bebedeiras, dos beijos roubados, das palavras mal-ditas, das noites boêmias mal-dormidas. Ah, a consciência !

Ao que a Pianista acrescentou - e as músicas, então? Simples jogos de palavras soltas, sem qualquer pretensão de aculturamento, mas, ao contrário, desprestigiando a cultura brasileira. Veja só Noel Rosa! Veja Pixinguinha! O que Villa-Lobos diria?

E eu, ouvia e meditava. Será que eles tinham ouvido falar de Tom Jobim? De Ari Barroso e do "Aquarela do Brasil"? De Chico Buarque e de suas músicas contra a Revolução de 64, que trouxe a ditadura ao Brasil? De Toquinho e Vinícius? Foi quando deu entrada à sala, o Escritor: Bem, querido Maestro e prezada Pianista, onde fica Lobato nesta história? Sem falar dos universais Castro Alves, Alencar, Victor Hugo, Alexandre Dumas, e Charles Dickens? E Shakespeare? E o nosso Machado? Falando em Universais, disse o Maestro, falemos de Mozart! E bateu palmas, feliz.

Quando ele disse - Mozart - meu coração quedou-se, como num staccato de uma grande sinfonia. E num momento atemporal, onde não existe espaço, nem dimensões como as conhecemos, mas um grande Silêncio, ali, à minha frente, num maravilhoso foco resplandecente de cores e luzes, surgiram como num mosaico em movimento, todos os grandes compositores, pensadores, instrumentistas e virtuoses, poetas, pintores, escultores, educadores, estetas, num portentoso concerto em homenagem à ela, a Arte. E seja por inspiração do grande compositor, ou porque o momento era propício, a sala transformou-se, feéricamente iluminada por lustres invisíveis como de cristal, aumentando suas dimensões, atingindo as esferas celestes, transfigurando os nossos personagens, mudando o teor e o colorido das conversações.

E o Escritor, inspirado, disse: O objetivo essencial da Arte, é a busca e a realização do Belo; é, ao mesmo tempo, a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita do Bem e do Belo.

Ao que o Maestro retrucou: Mas quanto mais a inteligência se purifica, se aperfeiçoa e se eleva, mais se impregna da idéia do Belo!

Disse a Pianista: Sim, o objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza (em sua essência, sem atavismos e aparências), a fim de realizá-la no ser e em suas obras. Tal é a regra da alma em sua ascensão infinita.

Na Terra, completou o Escritor, nem todos os artistas inspiram-se nesse ideal superior. A maior parte limita-se a imitar o que chamam "a natureza", sem se aperceberem de que esta não é senão um dos aspectos da obra divina. Porém, no espaço, continuou a Pianista, a arte se reveste, ao mesmo tempo, das mais sutis e mais grandiosas formas, e ilumina-se com um reflexo divino.

E o Maestro: meus caros, nada se iguala à Música. Vejam uma “Meditação de Thaís” de Jules Massenet! Quanta grandiosidade, quanta leveza!

E eu, pobre mortal, pensei, mas, e Mozart, e o carnaval?

Continuou o Maestro, lembramos aqui que todo Espírito que emana de Deus não apenas possui uma centelha da inteligência divina, como, ainda, goza de uma parcela do poder criador, poder que ele é chamado a manifestar cada vez mais no decorrer de sua evolução, tanto em suas encarnações planetárias quanto na vida no espaço.

Na Terra, sob o véu da carne, essa inteligência e esse poder ficam diminuídos; e contudo é maravilhoso constatar até que ponto o talento do homem pôde subjugar as forças brutais da matéria, vencer a sua resistência, sua hostilidade, submetê-las às suas necessidades e até mesmo às suas fantasias!

Tornei a pensar, neste caso, Beethoven, Brahms, Bach, Carlos Gomes, Dvorak, Tchaikowsky e outros, seriam exemplos disto?

Certamente, respondeu o Escritor. Mas eu apenas pensei! E ele respondeu-me!

Sim, querida menina, o pensamento cria formas, sons, em um grau mais elevado, por exemplo nas materializações de Espíritos, a vontade destes cria formas, rostos, vestimentas, atributos semelhantes aos que eles possuíam na Terra e que nos permitem reconhecê-los, identificá-los. A vontade lhes dá a consistência necessária para tocar os sentidos dos observadores. Os Espíritos Mozart (até que enfim, pensei novamente), Victorien Sardou e outros erigiram para si palácios ornados de plantas e de flores.

Prosseguiu o Maestro, inspirado pela citação do nome de Mozart: O papel essencial da Arte é expressar a vida com todo o seu poder, sua graça e sua beleza. A Arte se eleva e progride em todos os graus da escala da vida realizando formas cada vez mais nobres e perfeitas, que se aproximam da fonte divina de eterna beleza.



E qual não foi o meu espanto, quando deu entrada à sala, nada mais nada menos que o Filósofo, que, aproximando-se, sorridente, exclamou: A música é uma lei moral. Dá alma ao universo, asas ao pensamento, saída à imaginação, encanto à tristeza, alegria e vida a todas as coisas. Ela é a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, e do qual ela é a forma invisível, mas, no entanto, deslumbrante, apaixonada, eterna.

Prosseguiu nosso Filósofo: O infinito das idéias, dos quadros, das imagens, é como um desafio aos limitados recursos do vocabulário terrestre. Com efeito, como encerrar em palavras, como resumir em palavras todo o esplendor das obras que se desenvolvem nas profundezas dos céus estrelados?

E voltou os olhos ao Educador (que, esqueci-me de citar, quedara em silêncio todo esse tempo). Ao contrário do que se imagina, começou a dizer, todos podemos acessar o Belo, pois ele é lei soberana, objetivo supremo do universo. Todos os problemas do ser e do destino resumem-se em poucas palavras. Cada vida deve ser a construção, a realização do belo, o cumprimento da lei.

Neste instante, todos (eu inclusive), silenciamos a palavra e o pensamento. Não mais nos preocupávamos com as manifestações próximas do carnaval que, se no passado trazia a imagem de uma alegria fortuita e permitida (não seria permissiva?), hoje, enlouquecia os Espíritos, na afanosa tarefa de os fazer voltar as manifestações instintivas de satisfações efêmeras, desequilibrantes, minimizando, senão anulando as capacidades evolutivas em ascensão.

Lembrei-me de Emmanuel: Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças das trevas nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.

A triste festa iria começar em breve. Resquícios de costumes perdidos na Antiguidade de nossa cultura ocidental, pensei, que alegria é esta que se manifesta e exige bebidas, gritos, fantasias, carros alegóricos e desregramentos para se manifestar? E o mais grave: Por quê, se estamos num mundo grande parte cristão? Mas, de pronto, lembrei-me das palavras da personagem Magda, do livro Madalena, A Conversão do Mundo: é o fermento levedando a farinha. Lembremos a parábola de Jesus. Uma medida de fermento faz levedar a massa de farinha, mas para isso tem de misturar-se com ela. O processo de fermentação é lento e apresenta várias fases. O Evangelho está no mundo e vem levedando a sua massa há quase dois mil anos. A massa cresce, mas nova farinha lhe é adicionada a cada geração. A farinha do mundo está num saco invisível, e esse saco tem as dimensões do infinito. E esse pouco mais é o acréscimo da dimensão cristã à consciência humana. O Evangelho é esse acréscimo, uma pequena medida de fermento a levedar a massa do mundo. Nosso conhecimento possível é também uma medida de fermento e precisamos cuidar que ela não se perca, não se deteriore.

Voltei os olhos ao Maestro, à Pianista, ao Escritor, ao Filósofo, ao Educador. Ainda teríamos um bom tempo antes que a humanidade em nós cedesse lugar à Espiritualidade - mas, nesse ínterim, teríamos que passar por uma extensa trajetória de aprendizado e conscientização. Lembrei-me ainda das equipes espirituais no trabalho constante de aprimoramento da ética e da moral, através de seus dignos representantes na Terra e no Espaço. Com Sócrates, a estimular o Ser à busca de si mesmo, no auto-questionamento, na perquirição filosófica constante. E a partir dele, seguiram-se na linha do tempo as figuras dos Grandes Imortais em todos os ramos da Cultura, da Arte, das Ciências Exatas, da Filosofia, da Educação, das Religiões. Foi quando todos eles me disseram: O Espírito humano não pode se elevar até as supremas alturas da Arte cuja fonte é Deus, mas ele pode, ao menos elevar a elas as suas aspirações.
E como transformar as nossas aspirações em anseios de ascensão? Ou seja, qual o caminho a seguir para alcançar uma visão de vida menos materialista, menos embrutecida, menos niilista, menos imediatista, menos omissa?

E eles, sorrindo diante de minhas dúvidas, disseram: Toda ascensão da vida à perfeição eterna, todo esplendor das leis universais, resumem-se em três palavras: Beleza, Sabedoria, e Amor. E acrescentou o Filósofo: Quando nós, seres humanos, encontrarmos dentro de nós mesmos e no outro a projeção Divina do Bem e do Belo, saberemos exteriorizar de forma mais adequada a nossa bagagem interna. Até lá, lutaremos pelo entendimento, pela compreensão; em suma, pelo próprio livre-arbítrio, em seu verdadeiro sentido de condutor e libertador da nossa própria ignorância, o que nos torna, por ora, diante da Existência, ovelhas perdidas e desgarradas do aprisco do Pai, nesta belíssima metáfora de Jesus, que nos tornou parte da Criação Universal sob a Sua Égide. Então, veremos uma nova Renascença na Terra, desta feita, como resposta aos anseios de Espiritualidade dos Seres Humanos, erguidos à sua verdadeira Humanidade.

Silenciei, pois não havia mais nada a dizer.

(Sonia Theodoro da Silva)

(Diálogo virtual, com excertos das palavras de Léon Denis na obra O Espiritismo na Arte); Bibliografia: Madalena, A conversão do mundo, de José Herculano Pires.

PUBLICADO: Revista Internacional de Espiritismo, Ano 89, No.03, Abril 2004, Ano Comemorativo aos 200 Anos de Nascimento de ALLAN KARDEC. 

25 de janeiro de 2016

SÃO PAULO, A CIDADE DE PAULO E DE EMMANUEL


Comemoramos nesta data 462 anos da fundação da nossa cidade.

E voltando atrás no tempo, lembramo-nos das palavras de Emmanuel, em A Caminho da Luz, dizendo que o acaso inexiste, quando mencionamos as fundações de cidades e Estados. Aliás, acaso, segundo Téophile Gautier, é o pseudônimo de Deus quando Ele não quer assinar a sua obra. Há uma união de intenções entre “terra” e “céu”, como se todos se reunissem para fazer cumprir propósitos superiores, preparando a primeira para o advento das populações que lá habitarão, com vistas ao desenvolvimento das leis de sociedade e progresso. É muito interessante esta análise, para a qual convidamos os nossos caros internautas. Vejamos a Lyon de Rivail e a Lugdunum de Ireneu, a Roma antiga e a atual, a Nova York de 200 anos atrás e a de agora, e assim sucessivamente. Há um planejamento realizado em outras esferas de existência e que muitas vezes escapa à nossa compreensão.

O mesmo livro citado, A Caminho da Luz, relata os bastidores da história, sob a análise crítica e lúcida de Emmanuel.

Mas vejamos a nossa querida São Paulo de Piratininga, inaugurada a partir de uma pequena vila onde índios, padres e sentenciados portugueses constituíam a sua população. Ainda hoje, na região da Sé, no Pátio do Colégio, a igreja de Anchieta guarda um museu de peças e imagens sacras dos séculos XVI a XVIII, seus objetos de uso pessoal bem como sua batina e terço, e a arquitetura da época também preservada e restaurada, onde é interessante notar uma parede do templo, antiquíssima, construída de barro, palha, areia, pedra e excremento de gado para dar a liga, preservada até os nossos dias, e resguardada entre duas outras paredes de vidro.

Contudo, o que nos chama a atenção, da dupla Nóbrega-Anchieta, é a posição do primeiro como educador, que à época se caracterizava como um misto de professor e catequizador - lembremos que a Educação naqueles tempos estava a cargo da igreja católica, que enviava seus representantes às terras recém-descobertas. Muito criticado por seus meios rígidos e ortodoxos, mas que na verdade compunham normalmente o procedimento dos membros do clero, e mais do que isso, dos homens e mulheres do século em que viveram, Nóbrega, que não poderia fugir às circunstâncias evolutivas, culturais, religiosas, antropológicas e psicológicas de sua época, não deixou de cumprir a sua missão. A maior delas, a efetiva fundação de São Paulo de Piratininga. E aí é que analisamos as circunstâncias.

Nóbrega é considerado uma das reencarnações de Emmanuel, também Públio Lentulus Sura e posteriormente Públio Lentulus, o escravo grego Nestório (veja-se as obras Há Dois Mil Anos e 50 Anos Depois do autor espiritual) e ainda o padre Damiano, em Ávila (veja-se o romance Renúncia), além de sua vida como o pensador e escravo cristão Eusébio (não confundir com Eusébio de Cesaréa). Por que Nóbrega deu o nome do querido Apóstolo à cidade?

Uma mensagem íntima de Emmanuel recebida por Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo, a 13 de março de 1940, nos relata um encontro do senador Lêntulus com Paulo em Roma. A mensagem é a seguinte:

“Lede as cartas de Paulo e meditai. O convertido de Damasco foi o agricultor humano que conseguiu aclimatar a flor divina do Evangelho sobre o mundo. Muitas vezes foi áspero. A terra não estava preparada e se em alguns pontos oferecia leiras brandas e férteis, na maioria, era regiões em espinheiro e pedregulho.

Paulo foi o lidador de sol a sol. Seu fervoroso amor foi a sua bússola divina. Sua paixão no mundo, iluminada pela sua dedicação ao Cristo, transformou-se na base onde deveria brilhar para sempre a claridade do Cristianismo. Conheci-o, em Roma, nos seus dias de trabalho mais rude e de provações mais acerbas. Vi-o uma vez unicamente, quando um carro de Estado transportava o senador Públio Lentulus, ao longo da Porta Ápia, mas foi o bastante para nunca mais esquecê-lo. Um incidente fortuito levara os cavalos a uma disparada perigosa, mas um jovem cristão, atirando-se ao caminho largo, conseguiu conjurar todas as ameaças. Avistamos, então, um pequeno grupo, onde se encontrava a sua figura inesquecível. Trocamos algumas palavras que me deram a conhecer a sua inteireza de caráter e a grandeza da sua fé. O fato ocorria pouco depois da trágica desencarnação de Lívia e eu trazia o espírito atormentado. As palavras de Paulo eram firmes e consoladoras. O grande convertido não conhecia a úlcera que me sangrava no coração, todavia as suas expressões indiretas foram, imediatamente, ao fundo de minha alma, provocando um dilúvio de emoções e esclarecimentos.

Luzeiro da fé viva, Paulo não pode ser esquecido em tempo algum. Seu vulto humano é o de todo homem sincero que se toque de amor divino por Jesus. Lede-o sempre e não vos arrependereis”. (O grifo é nosso)

Tudo se assemelha ao coração imenso da cidade de São Paulo - a cidade de Paulo.

Conta-nos o Espírito Cneio Lucius (50 Anos Depois), que Paulo, no plano espiritual, sempre se dedicou a auxiliar “as grandes inteligências afastadas do Cristo, compreendendo-lhes as íntimas aflições e o menosprezo de que se sentem objeto no mundo, ante os religiosos de todos os matizes, quase sempre especializados em regras de intolerância”. E foi com esse sentimento de compreensão e bondade que fez com que o grande Apóstolo da gentilidade estendesse as suas preces e auxílio ao culto senador romano, quando de sua desencarnação na tragédia de Pompéia, continuando a ampará-lo espiritualmente em suas posteriores existências terrenas.

Emmanuel nunca mais o esqueceu, e na personalidade de Nóbrega, adia a inauguração do Colégio de Piratininga, a que dá o nome de São Paulo, para o dia da comemoração da conversão do Apóstolo, fixada em 25 de janeiro. Essa afirmação não é somente de Cneio Lucio. É mencionada pelos biógrafos do padre Nóbrega, entre eles Serafim Leite, José Mariz de Morais, e Melo Pimenta.

Em outro momento, já como o grande pensador cristão encarregado das diretrizes ético-morais do Espiritismo em terras brasileiras, como continuidade ao trabalho que ajudou a realizar há centenas de anos, surge, através da psicografia do não menos ilustre missionário da Bondade e da Humildade, Chico Xavier, a grandiosa obra “Paulo e Estêvão”.

E compreendemos a grande destinação desta que é considerada a maior cidade da América Latina. Hoje, no século 21, uma megalópole que abriga em seu coração, centenas de “gentios” oriundos de todas as terras, brasileiras ou estrangeiras. Tal como Paulo, que abrigou em seu imenso coração amoroso, os corações da gentilidade em sua época. Foi através deles que o cristianismo do Cristo cresceu e se espalhou pelo mundo.

E é em São Paulo hoje, que brasileiros e estrangeiros tomam um primeiro contato com a Doutrina da Paz, da Concórdia, do Conhecimento Transcendente e a levam em suas atitudes e consciências tornadas espíritas.

Cumpriu-se a grande missão compartilhada.

Sonia Theodoro da Silva
(texto revisado pela autora - 25 de janeiro de 2016).

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24 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!!!!


 
Christmas Eve message by the crew of Apollo 8.
Anders:
I hope all of you back on Earth can see what we mean when we say that this is a very foreboding horizon, a rather dark and unappetizing looking place. We are now going over one of our future landing sites, selected over the smooth region, called the Sea of Tranquility -- smooth in order to make it easy for the initial landing attempts in order to preclude having to dodge mountains. Now you can see the long shadows of the lunar sunrise.
We are now approaching lunar sunrise and for all people back on Earth, the crew of Apollo 8 has a message that we would like to send you.
In the beginning, God created the Heaven and the Earth. And the Earth was without form, and void, and darkness was upon the face of the deep. And the Spirit of the God moved upon the face of the waters. And God said, "Let there be light." And there was light. And God saw the light, that it was good, and God divided the light from the darkness.
Jim Lovell:
And God called the light Day, and the darkness He called Night. And the evening and the morning were the first day. And God said, "Let there be a firmament in the midst of the waters, and let it divide the waters from the waters." And God made the firmament, and divided the waters which were under the firmament from the waters which were above the firmament. And it was so. And God called the firmament Heaven. And the evening and the morning were the second day.
Frank Borman:
And God said, "Let the waters under the Heaven be gathered together unto one place, and let the dry land appear." And it was so. And God called the dry land Earth, and the gathering together of the waters he called the Seas. And God saw that it was good.
And from the crew of Apollo 8, we close with good night, good luck, a Merry Christmas, and God bless all of you, all of you on the good Earth.
 

20 de novembro de 2015

A DIALÉTICA DO SUICÍDIO (AS DORES DO BRASIL E DA FRANÇA)


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Há momentos em que palavras e gestos não conseguem exprimir os sentimentos que envolvem os corações humanos diante da tragédia, seja ela pessoal ou coletiva. Tragédias essas onde apenas as justificativas simplistas não alimentam a necessidade que temos de uma explicação madura e condizente ao progresso intelecto-moral já alcançado.

Refiro-me a justificativas tais como: “é a transição”, é “a lei de causa e efeito”. Ou ainda, “nada devemos temer, pois Jesus está no leme deste barco navegante em mares tumultuosos”.

Essas “explicações” poderiam levar à uma acomodação de pensamentos e sentimentos, já que “nada podemos fazer” diante da lei de “causa e efeito” que atinge vítimas e algozes, e nos coloca “a salvo” de qualquer evento menos feliz. Mistura de carma indiano com lei de talião mosaica.

Por outro lado, as aflições que muitos hoje vivenciam fruto de desastres ecológicos principalmente no Brasil, oriundo da ganância de governos e empresas multinacionais, de assaltos com morte, principalmente nas grandes metrópoles, e por abandono e violência, está ceifando vidas que não suportam conviver sem seus amados, seus pertences, sem o trabalho que lhes garantia a dignidade de viver.

O suicídio foi institucionalizado por circunstâncias as mais diversas além das acima citadas, como a imolação da própria vida para o cumprimento da jihad islâmica e assim alcançar o paraíso distante do mundo ocidental perverso e corrupto; como único caminho para abolir o sofrimento diante da perda de entes queridos, de bens materiais que sustentavam a família, e ainda pelo fato de enfermar sem perspectivas de futuro, e, muitas e muitas vezes por tristeza, vazio existencial e estresse emocional. 

Como exemplos, o governo dos EUA enfrenta hoje uma epidemia de suicídio nas fileiras militares por parte de jovens traumatizados pelas guerras das quais participaram no Oriente Médio; o Japão enfrenta epidemia de suicídio de jovens que não conseguiram matrícula nas universidades mais conceituadas e partem para a alternativa cultural do autocídio como saída estratégica da vida e manutenção do orgulho pessoal e familiar.

E poderíamos elencar todas as causas possíveis para essa “alternativa” que milhões buscam hoje no mundo inteiro para não enfrentarem a dor e o sofrimento, o vazio existencial e a sensação de abandono.

O ser humano está em crise profunda. Não podemos achar que as Leis Divinas estejam por detrás dessa tragédia. Se Deus é misericordioso, as Suas Leis, que expressam o Seu pensamento, expandem o Seu amor por toda a humanidade nesse instante. As Leis Divinas são misericordiosas, nunca agem em desacordo com Deus, pois Ele as dirige e comanda, embora o homem seja o algoz do próprio homem, embora haja optado pela cruel lei de talião contra o próximo e contra si mesmo.

Então, porque tudo isto?  O que faz um jovem imolar-se tão cruelmente por um ideal utópico preconizado por argumentos rasteiros, como vemos hoje os jovens que se unem a grupos dotados de ódio profundo à civilização e tudo o que ela representa?

Qual a verdadeira causa dessa ausência de si mesmo? Não somos adeptos de explicações menores nem justificativas que nada explicam, senão ampliam o nosso estupor diante de tanta dor.

Sem dúvida que as verdadeiras causas, geradas ao longo de 6.000 anos de civilização, permanecem ocultas à curiosidade e julgamentos parciais e limitantes, porém, podemos visualizar a AUSÊNCIA DE AMOR como paradigma a ser superado. Amor ao próximo, amor à natureza, amor ao país que acolhe as comunidades dentro de suas fronteiras, amor ao ar e ao alimento que nutre a vida, amor à família que traz à reencarnação, amor ao trabalho – por mais humilde que seja – que faculta conforto, amor a tudo o que nos cerca, amor sem apego, amor sem exigência, sem satisfação e egolatria pessoal.

Respeito ao corpo que abriga a alma. Que fala com ela quando tem dor, quando tem fome e sede, quando precisa de higiene e cuidados, quando  encaminha a alma às experiências pessoais e à convivência com o outro.  

Corpo que resiste aos desvarios e erros de conduta, mas que vai se esfacelando diante dos abusos a que tenta desesperadamente resistir.    

Talvez o homem quisesse ser como Ícaro que voa em direção à luz que tanto almeja mas quanto mais se aproxima, ela, a falsa luz das utopias terrestres derrete as frágeis asas e o projeta no vácuo e na escuridão.

 Pensadores e filósofos somatizaram seus próprios problemas existenciais e criaram as filosofias existencialistas; encararam a prevalência do orgulho e do egoísmo nas comunidades onde viviam como “culpa” de Deus, daquele Deus cruel e desfigurado por três divinas pessoas que nada faziam diante das dores humanas. E preconizaram o suicídio como alternativa de fuga do sofrimento sem esperança.

Por outro lado, sabemos que há falanges e falanges de Espíritos em verdadeiro desvario moral, emocional e existencial hoje reencarnados na face do planeta. Mas, perguntaríamos, e as influências do ambiente em que vivem? E o materialismo feroz que os isola (refiro-me aos jovens recrutados pela ferocidade e loucura de uns poucos)  e agride sem perspectivas de um possível refazimento (mesmo que minimamente) a potencializar a chama divina que trazem consigo (afinal também são criaturas de Deus)? 

Meditemos na mensagem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Caridade para com os Criminosos... sem julgamentos, sem ódio que alimenta ódio, mas com espírito de misericórdia, tal como Jesus olhou a humanidade que o torturou, e oremos neste momento de grandes aflições.      

Vamos buscar alternativas para que o país no qual vivemos seja respeitado e a sua população encontre mecanismos de bem viver.

Lei de Causa e Efeito não é lei de talião; o barco que Jesus conduz nesses mares revoltos não prescinde de nossa colaboração para que continue a navegar em segurança.

E nós, espíritas, temos o dever e a responsabilidade de sair da nossa acomodação e semear a Paz, a Fraternidade, a Esperança e a Consolação nos corações próximos ou distantes. Isso também se chama FRATERNIDADE. 

E você, meu irmão e minha irmã que pensa continuadamente no suicídio como rota de fuga ao sofrimento que o/a atormenta, pense que o Espírito é imortal, seu corpo sofrerá o efeito desastroso de seus atos, que não solucionarão os seus problemas; mire-se em Jesus, acolha-se em seus braços, busque-o com toda a força de sua vontade, refugie-se em seu olhar doce e humilde mas enérgico e forte, como o irmão mais velho que Ele é, e busque a serenidade com Ele, em Suas palavras, em Sua mansuetude, em Seu amor. E descanse a sua mente fatigada com Ele.

Sonia Theodoro da Silva


Filosofando: O Sofrimento segundo a Filosofia Espírita: https://www.youtube.com/watch?v=CoMsTsZ3E4k

Mundo Maior em Debate: O que vem após a Morte? https://www.youtube.com/watch?v=XimVtWpuErA       

7 de setembro de 2015

A razão de ser do Espiritismo


 
SÓCRATES - Inspirador do Projeto Estudos Filosóficos Espíritas
(Escultura à entrada do Museu de Atenas)
 "Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.
Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.
Logo depois, no Collège de France, proclamando serJesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.
Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.
As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos, fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.
Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.
Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.
O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.
Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de ideias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinquentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.
O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam...
Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqui, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.
Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.
Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.
Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas sequelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.
A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro."
Victor Hugo
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de junho de 2001, em Paris, França.
Publicado no Jornal Mundo Espírita de novembro de 2001.
 
 

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